Programa de Pós-Graduação em História

Linhas de Pesquisa

Linhas de Pesquisa do PPGH
 

INSTITUIÇÕES, VIDA MATERIAL E CONFLITO

Os pesquisadores desta linha propõem-se ao estudo do papel fundamental das instituições na construção de poderes nas sociedades e à investigação sobre a forma pela qual elas moldam a vida social e são por ela moldadas. Elas são aqui pensadas como lugares de poder que condensam as dimensões materiais e simbólicas da sociabilidade humana (P. Bourdieu, Sobre o Estado), ajudando a impor e a administrar os ritmos do tempo, ao mesmo tempo em que estabelecem rotas de peregrinação por onde transitam os imaginários coletivos (B. Anderson, Comunidades imaginadas).

Vistas dessa forma, as instituições organizam e controlam os mundos do trabalho, constroem as relações entre governantes e governados e são por elas construídas, desenham os espaços urbanos e rurais, traçam o perfil dos territórios, regulam a vida das populações. Elas não se limitam ao governo civil dos povos, mas incluem as instituições religiosas, os movimentos sociais organizados, os partidos, as instituições educacionais e culturais de toda ordem, inclusive aquelas destinadas à conservação das memórias grupais e coletivas e à escrita da história.

O campo delineado por essa linha sem compõe em forte interlocução com a Sociologia Histórica, com a História do Direito e com a Nova História Política, tendo sempre em tela que pensar as instituições historicamente implica ir além das tipologias, ao sublinhar sua temporalidade e contingência, vale dizer seu caráter de artefatos através dos quais os agentes humanos se organizam, e, ao fazê-lo, produzem sobre essas ações registros de toda ordem. Dentre estes, repontam com crescente importância, aqueles referentes às metamorfoses da linguagem e dos vocabulários políticos, impondo a historicização das falas e das escritas em campos semânticos específicos (J. Fernández Sebastián e G. Capellán de Miguel (org.), Conceptos políticos, tiempo e historia: nuevos enfoques en historia conceptual).

Entende-se o campo das instituições como um espaço travejado de tensões e conflitos, que são a expressão de um conjunto social e politicamente diversificado de resistências. Desse modo, a abordagem histórica das instituições deve abarcar também os movimentos de reação e transgressão dos vários atores históricos, sejam aqueles ancorados na vida material, sendo aqueles que emergem das várias formas de sociabilidade ligadas à produção material e simbólica da existência (E.P. Thompson, Costumes em comum. Estudos sobre a cultura popular tradicional).

Assim, pensar as relações entre vida material e ordem política como problema historiográfico supõe considerar a convivência complexa de esferas que se interpenetram em configurações que apenas a pesquisa rigorosa pode desvendar, ultrapassando teleologias e determinismos preestabelecidos. Desse modo, incorporam-se nesta linha de pesquisa os estudos sobre as formas de apropriação e ordenamento da propriedade, os instrumentos de regulação da vida cotidiana, a organização do trabalho e seu disciplinamento, a constituição de corpos de funcionários civis e militares, a constituição das organizações educacionais, entre outros (M. Perrot, Os excluídos da história: Operários, mulheres e prisioneiros).

Em cada uma dessas dimensões, a dinâmica dos impulsos ordenadores e aquela das resistências e do conflito (as revoltas, os motins, a deserção e a sonegação) compõem um campo fecundo para a investigação dos historiadores e permite uma abordagem inovadora sobre fontes classicamente visitadas pelos historiadores, como os processos judiciais, inventários, censos, cadastros, enquetes sociais, estatísticas, memórias, relatórios e outros repertórios oriundos de organismos públicos ou privados.

Docentes:

Prof. Dr. Alexandre Pianelli Godoy

Prof. Dr.  André Roberto de Arruda Machado

Profa. Dra. Andréa Slemian

Prof. Dr. Antonio Simplício de Almeida Neto

Prof. Dr. Bruno Guilherme Feitler

Profa. Dra Cláudia Regina Plens

Prof. Dr. Clifford Andrew Welch

Prof. Dr. Denilson Botelho de Deus

Profa. Dra. Edilene Teresinha Toledo

Prof. Dr. Fernando Atique

Prof. Dr. Jaime Rodrigues

Prof. Dr. Janes Jorge

Prof. Dr. José Carlos Vilardaga

Prof. Dr. Luigi Biondi

Profa. Dra. Maria Luiza Ferreira de Oliveira

Prof. Dra. Maria Rita de Almeida Toledo

Prof. Dr. Odair da Cruz Paiva

Profa. Dra. Patricia Teixeira Santos

Profa. Dra. Wilma Peres Costa


PODER, CULTURA E SABERES

Esta linha de pesquisa pretende abrigar investigações que trabalham a dimensão política das práticas culturais e problematizam as configurações históricas que delas emergem em diferentes lugares e momentos. Nesse sentido, também abarca trabalhos voltados ao estudo das representações, seus sentidos e significados históricos, bem como os conflitos dos quais participam.  Ela é produto da fecunda aproximação que se desenvolveu, no campo dos estudos históricos, com a Sociologia, Antropologia e os estudos da Linguagem, (M. de Certeau, A invenção do cotidiano ou também Paul Veyne et alii. História da Vida Privada), processo que renovou o questionário dos historiadores que trabalhavam as relações entre cultura e sociedade, fazendo emergir também um redimensionamento da esfera política (N. Elias, O processo civilizador 1. Uma História dos Costumes e 2. Formação do Estado e Civilização).

Olhada a partir da descentralização dos embates de dominação e resistência e o reconhecimento das múltiplas instâncias de poder presentes nas diferentes sociedades, a dimensão da política passou a ganhar crescente complexidade, para além das práticas institucionalizadas, dando visibilidade a poderes ocultos, obscurecidos e difusos (M. Foucault, Microfísica do Poder).

Os pesquisadores desta linha propõem-se ao estudo de problemas e objetos de investigação novos e/ou sob nova abordagem, dentre os quais repontam as questões de gênero, memória, identidade, mentalidade, representações, tradições, artes. (R. Chartier, A história cultural, entre práticas e representações, e P. Burke, O que é História Cultural?).

Esta linha de pesquisa abarca, portanto, o território do que se entende presentemente por História Cultural e por linhagens da Nova História Política, bem como seus territórios conexos, onde se constituem espaços compartilhados com a Filosofia, a Psicanálise, os estudos da Linguagem, da Literatura e das Artes e Comunicações, e a Antropologia (C. Ginzburg, Medo, reverência, terror).

Dentre os objetos privilegiados dessa linha de investigação, encontra-se aquele que se refere à construção do conhecimento, reconhecido como campo de disputas e conflitos. A relação entre saber e poder passou a ser apontada em ideologias, doutrinas, teorias, visões de mundo, fazendo com que saberes sejam relativizados em função de estratégias de poder construídas nos diferentes momentos históricos e nos diferentes campos de produção intelectual. As percepções do social são tomadas, assim, como produtoras de estratégias de poder e práticas nas disputas pela imposição de representações de grupos e sujeitos distintos, estabelecendo inclusões e exclusões, hierarquias entre os saberes, classificações e controles sobre sua circulação. Mas, também são problematizadas as práticas de apropriação que diferentes segmentos sociais fazem dos sistemas de crenças, de valores, de representações em situações determinadas (G.C. SPIVAK, Pode o subalterno falar?)

Tais questões tomam como objeto central as relações que os sujeitos sociais mantêm com os objetos culturais ou com o pensamento e os valores de sua época. Dentre estes repontam aqueles que se referem à construção e à preservação da memória coletiva, bem como as disputas em torno das narrativas que a configuram. Desse modo, a produção do campo da História é tomada como objeto de análise para se deslindar as diversas formas como esse campo apreendeu o mundo social e constituiu conceitos e métodos, organizando problemas de investigação, em lugares e momentos diferentes. Considerando o campo da cultura como campo de disputas, que articulam opções intelectuais e posições sociais, é possível problematizar os lugares de poder e as estratégias estabelecidas por diferentes grupos produtores de conhecimento e dos regimes de verdade referentes às suas práticas em situações específicas.

Docentes:

Profa. Dra. Ana Lúcia Lana Nemi

Prof. Dr. Antonio Simplício de Almeida Neto

Prof. Dr. Fabiano Fernandes

Prof. Dr. Fábio Franzini

Prof. Dr. Fernando Atique

Prof. Dr. Gilberto da Silva Francisco

Prof. Dr. Glaydson José da Silva

Prof. Dr. Luis Antonio Coelho Ferla

Prof. Dr. Luís Filipe Silvério Lima

Prfa. Dra. Marcia Barbosa Mansor D’Alessio 

Prof. Dra. Maria Rita de Almeida Toledo

Profa. Dra. Mariana Martins Villaça

Prof. Dr. Rafael Ruiz Gonzales

Profa. Dra. Samira Adel Osman

Profa. Dra. Wilma Peres Costa

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Email: ppghistoria.eflch@gmail.com
Telefone: 5576-4848, ramal 6045

Coordenação: Bruno Feitler ( feitler@unifesp.br ) e Maria Luiza Ferreira de Oliveira ( mlfoliveira@unifesp.br )
Secretaria de Pós-Graduação: Ailton Mesquita Lima

 

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